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Posts Tagged ‘Violência’

No dia 20 de novembro fui com a minha mulher assistir ao filme “Tropa de Elite 2”, depois das desventuras e mal atendimento na recepção do cinema citadas no post anterior, acomodados em nossas cadeiras (sempre gosto de sentar no meio da tela umas 3 filas atrás do meio do cinema, pois penso que neste lugar eu tenho a visão do câmera e sua perspectiva exata), começou o filme da década!

Filme da Década!

Sim, filme da década!

A história do cinema brasileiro terá esse filme como um ponto de referência. Os que gostam de cinema arte dirão: “-que absurdo!” mas os mais pé no chão concordarão comigo que cinema arte só pode ser feito se houver dinheiro… e dinheiro só existe em filme de ação ou filmes populares. Me perdoem os artistas mas arte é para quem é artista, que pode bancar seus filmes ou tem quem banque e nã0 se incomode com dinheiro.

Filme de ação, lotado de senso comum e estereótipos é tudo o que qualquer pessoa quer pagar para passar 2 horas no escuro sem pensar em nada mais que a pura diversão proporcionada pelo cinema.

O filme começa com uma piada excelente que merece ser registrada aqui, mas não literalmente pois não tenho memória para isso: “Apesar de falar sobre fatos reais esta é uma obra de ficção” ou algo parecido.

Dessa forma o diretor e o roteirista se eximem de qualquer interpretação que os leve a um, como direi, processo judicial…

Mas o que interessa no filme? A excelente atuação do Wagner Moura no papel do protagonista e do Milhem Cortaz como Tenente-Coronel Fábio Barbosa que são os perfeitos estereótipos dos policiais que representam, e convencem como tais!

Destaque também a frase popular como “cada cachorro que lamba seu próprio pau!” e para a linguagem usada no filme, um primor de realismo e tudo muito bem colocado.

O roteiro é interessante e o ritmo mantém nossa atenção por boa parte do filme, lá, quase no final dá uma desandada ficando lento perdendo o ritmo para terminar com outra piada… a imagem do Planalto, quase como uma lição de moral (o que levou ao empobrecimento da obra…pois lição de moral é para contos da carochinha).

Bem, quem é político e teve a carapuça enfiada deveria se ofender mesmo e tomar uma atitude: renunciar ao mandato ou suicidar-se, pois tudo o que é dito por lá pode bem ser verdade…

Quem é policial também que se preocupe, uma vez que só deveria existir o lado de quem defende o certo e o bom… e, sendo verdade aquilo lá, a coisa pega.

Ao terminar de ver o filme saí pensando nas consequências… e nas possibilidades.

Um filme como esse, que já é recordista de bilheteria no Brasil certamente influencia a cabeça do povo, nunca é só diversão, tem catarse, tem direção de olhar para a parte simplificada da situação econômica e dos direitos humanos.

Ao simplificar questões tão importantes com a frase “bandido bom é bandido morto” ultrapassamos à questão da justiça que é: quem deve julgar devidamente a questão tirando do cidadão e do policial a obrigação de fazer justiça com as próprias mãos?

Ao simplificar a questão esquece-se que quem sustenta a situação é quem ganha dinheiro com isso, e não é o cara armado de sandalha de dedo e sem camisa na favela que tem condições de ter arma ou dinheiro para fazer aquilo tudo.

Ao simplificar a questão não se olha sobre os consumidores das drogas que pagam para manter a coisa em si…

Alguns dias depois, vejo na TV os ataques e transtornos ao Rio de Janeiro em um violento reality show com direito à imagens aterrorizantes transmitidas para o mundo e leio no twitter gente pedindo para ver assassinatos nas câmeras…

Gente pedindo para que as ambulâncias não cheguem, gente dando palpite de estratégias para matar os bandidos…

Não quero, nem vou julgar os motivos dessas pessoas, mas sei que essas pessoas estão diretamente conectadas ao apelo comunicacional gerado pelo filme, e não percebem a realidade da situação.

Acham que na TV é tudo brincadeira…

Mas vamos à minha análise conspiratória dos fatos:

Estamos entrando em uma área muito delicada…você pode parar por aqui se quiser evitar o confronto com a ficção:

1- Copa e Olimpíadas chegando, muita grana envolvida e muita gente interessada nessa grana;

2- Acordos de todo tipo para “pacificar” o Rio de Janeiro;

3- Filme que mexe com a opinião pública sobre as temáticas de segurança, lealdade das corporações e o funcionamento das Instituições criadas para nos defender e representar;

4- Necessidade de aumento de audiência nas mídias para pagar o décimo terceiro e fazer o lucro de final de ano;

5- Planejamento prévio de ocupação das favelas do Rio para haver uma certa “urbanização” e retirada do controle das milícias e do tráfico;

6- Vazamento de informação de todo tipo…

7- Final de ano chegando e turismo em alta, afinal na Cidade Maravilhosa corre muita grana com turismo nessa época do ano;

Juntando tudo isso à campanha de difamação do Rio de Janeiro que corre solta há anos… eu imagino que:

a- Políticos do Rio querem mostrar serviço

b- Polícia do Rio tem quer mostrar serviço

c- mídia quer dinheiro, seja pela audiência, pelo anunciante ou pelo “calaboca” que o governo do estado e município deve oferecer ou pelo “falabemdemim” que as empresas ligadas ao turismo na cidade terão que investir para recuperar as reservas canceladas.

d- quem distribuiu o filme quer mais gente vendo e pagando ingressos

O povo é mero torcedor/sofredor acredita em tudo sem analisar os fatos e para quem está fora do Rio a cidade inteira é um caos, o que não é verdade, uma vez que na Zona Sul o fenômeno não ocorreu da mesma magnitude que na Zona Norte.

Não digo que foi um caso planejado, isso seria complicado demais para tornar realidade, mas foi uma série de interesses que convergiram para um momento, um lugar e uma data.

Tenho um conhecido que disse que foi tudo perfumaria, que aconteceu onde todo mundo já sabia que ia acontecer e que foi só para aparecer na mídia mesmo.

Eu, particularmente, acredito que a solução é mais simples e ao mesmo tempo impossível de ser alcançada, uma vez que votos e fiéis se conquistam com desgraças e fatalidades.

Resultado: a ninguém interessa a solução real do problema. A questão das diferenças sociais, a questão da droga/tráfico e a questão da marginalidade/criminalidade fazem parte do que alimenta a estrutura da nossa sociedade.

Quem está no topo da estrutura não percebe que é preciso mudar, quem está no meio dela não direciona suas dores e valorespara forçar quem está no topo perceber a necessidade da mudança e quem está na base, além de serer alimento para a estrutura, está tão dentro do problema que não tem força nem possibilidade de convencer a necessidade da mudança.

Por onde começar? Não sei… mas já disseram que é preciso parar de levar o doente para a UTI.

Que saúde social é parte de um processo educacional lento e de implementação de transparência e acesso de todos de forma irrestrita e facilitada às instituições…

Quem poderá nos defender? Quando deixaremos de esperar pela defesa?

 

 

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Todas as manhãs, quando vou levar minhas crianças na escola ligo o rádio do carro e escuto um programa jornalístico na FM JOVEM PAN, não porque eu gosto da rádio e sim porque onde eu moro só tem essa rádio com um programa jornalístico aceitável.

Sempre lamento muito a perda de tempo jornalístico com informações inúteis, para mim, sobre o trânsito de São Paulo e sobre o tempo em umas poucas capitais brasileiras. Ora, esse tipo de notícia é para ser dada pelo noticiário local e não na rede nacional. Para mim isso é mais que óbvio.

Trânsito nas Capitais?

Prá que que eu quero saber isso?

Lamento que outras emissoras, inclusive de TV, procedam da mesma forma, usando as transmissões nacionais para falar de crimes, trânsito e tempo de capitais como SP ou RJ, ocupando o tempo precioso do noticiário nacional com assuntos locais de capitais distantes.

Violência local no noticiário local

Para que que eu, no interior do Brasil, quero saber sobre as favelas no RJ ou SP?

ALOUÔ! Vai falar do lixo local, fala em noticiário local, não me interessa saber sobre o traficante do morro tal na favela qual do Rio ou de São Paulo.

Aqui onde moro também tem crimes e eles não saem no noticiário nacional… não me interessa de forma alguma esse tipo de notícia que toma 10 a 15 minutos do tempo de todos nós.

Mas o que me irrita mesmo no noticiário nacional da JOVEM PAN são exclusivamente 2 coisas…

A primeira, mais antiga e mais irritante é a vinheta do programa Pânico. Nada contra o programa, até é um momento interessante de descontração dos locutores que o povo assiste como reality show. Mas a vinheta é a mesma há pelo menos 2 anos!

Será que eles não tem criatividade para mudar uma vinheta de um programa ou não tem dinheiro para gravar uma nova? Um verdadeiro saco!  Dois dedões para baixo para a repetição interminável de vinhetas irritantes pela programação! Mudem essa MERDA logo!

A outra coisa irritante são os blocos de pseudo-protesto da rádio, sempre com argumentação imbecilizante e pobre, como se estivesse lá apenas para gastar o tempo disponível do noticiário. O pseudo-protesto que está sendo veiculado agora é contra o programa “A VOZ DO BRASIL”.

Eu acho legal...gosto muito!

Pela continuidade da Voz do Brasil

 

 

 

 

Brigam contra a obrigatoriedade do programa, e usam os argumentos mais pobres que se pode usar… comparam o programa à propaganda nazista, sem no entanto terem argumentos que os permitam fazer essa comparação, já que a propaganda nazista tinha um objetivo muito diferente e foi um recurso de um governo totalitário de alcançar seu público.

Ora, o cara pode falar o que ele quiser no veículo dele, concordo, liberdade de expressão é o que todos nós desejamos, mas fazer críticas baratas que imbecilizam o adolescente que pode estar escutando o rádio é quase o mesmo que usar o veículo como recurso totalitarista de governo, mesmas armas, mesmos formatos.

Considero “A VOZ DO BRASIL” como um excelente veículo de informação e acima de tudo, um veículo capaz de apresentar diariamente a versão das coisas que são feitas lá no planalto central.

Se o povo escutasse mais “A VOZ DO BRASIL” talvez soubesse escolher melhor na hora de votar.

Diariamente poemos ouvir o que os nossos políticos dizem nas plenárias, escutamos sobre as decisões do Supremo, sobre os programas sociais do governo e muito mais.

O argumento do rádio contra o programa “A VOZ DO BRASIL” é que existe informação em todos os lugares, nas rádios, nas TVs e na internet. No entanto, menos de 1/4 da população brasileira tem acesso à internet. Os noticiários dos veículos de massa só transmitem notícias inúteis sobre violência, desgraças e trânsito nas capitais onde estão suas sedes esquecendo que existe um Brasil imenso que precisa saber sobre as ações do Governo, da Câmara e do Senado e finalmente do Judiciário.

Se me perguntarem… voto pela continuação da obrigatoriedade da “A VOZ DO BRASIL”, pois quem sabe que é útil ou precisa ouvir as notícias sobre os Três Poderes tem neste programa a garantia de saber o que acontece. É um recurso de utilidade pública e de formação de cidadania.

Se me perguntarem… voto por uma lei de mídia que exija que as grandes redes tenham noticiários locais e que empreguem jornalistas locais em quantidade suficiente para cobrir as questões locais com qualidade e utilidade.  Que essa lei de mídia contemple a formação de comissões locais de ética e de observação da imprensa com representantes da população, do governo e dos órgãos de classe. Comissões que atuem e autuem os abusos e descasos, e principalmente os factóides irresponsáveis.

Se me perguntarem… que seja limitado o número de repetições de vinhetas e que elas tenham prazo de validade como os enlatados do supermercado.

Mas ninguém me perguntou né? Quando me perguntarem eu digo!

Abraços

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