Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Arte’

Novos ventos, novos rumos na 29ª Bienal de Arte de São Paulo – 2010

Eis que depois da traumática experiência de ter ido à 28ª Bienal, aquela que considerei “do lixo” e que minha filha vomitou todo seu nojo pela exposição, começo a ler sobre e a ver matérias da exposição deste ano.

Como moro muito longe do “Jardim do Édem” econômico brasileiro não posso simplesmente pegar o carro e ir lá conferir. Tenho que pesquisar muito antes e obter informações que me convençam de que não verei outro lixo como no ano anterior.

Além do mais pretendo levar minha família para ver e não quero que minha filha mais velha vomite outra vez, nem que a minha segunda menina volte com pneumonia, que foi o resultado daquele ano…

Assim, comprei a revista Bravo, acessei o site da Bienal , vi as reportagens dobre a polêmica do artista plástico, Gil Vicente, que se retratou matando políticos nacionais e internacionais, e li sobre a frívola discussão da legalidade ou censura de tais obras.

Autorretrato III – matando Elizabeth II

Autorretrato III – matando Elizabeth II

Destaco também a questão ambientalista pobre sobre levantada contra os urubus engaiolados de Nuno Ramos. Que estão lá para voar ou manter-se parados em postes negros ao som de músicas como Bandeira Branca, Boi da Cara Preta e Carcará uma obra instigante, ousada e literalmente viva cercada por uma polêmica inútil de ambientalistas ridículos que não fazem idéia do que a obra retrata.

Bandeira branca

Bandeira branca

Entrei no site da Bienal que está muito completo com material bem escrito e bem posicionado, todo correto em termos tradicionais. O que considero um avanço ligado a um retrocesso…

Explico:

Avanço… Usar a internet, para apresentar ao mundo a exposição,

aplausos…

Mas retrocesso… Cadê a interação com o público? Por que um lugar, dito de vanguarda da arte possui um espaço de internet que é igual aos impressos que empobrecem a comunicação?

Onde estão os artistas digitais para participar de uma Bienal Digital?

O Site da Bienal deveria ser uma extensão contínua do espaço de questionamento e aprendizagem de arte. Deveria ser um espaço extremamente interativo e “Oiticiquiano” lotado de “Parangolés” para o visitante, mas chegamos no site e encontramos….

um site…

Um tradicional e ultrapassado site, não condizente com a proposta revolucionária da arte contemporânea. (nem condizente com a proposta de interação nascida na internet)

Deveria ser um portal para uma nova dimensão, que espantasse (não assustasse) e surpreendesse positivamente o visitante ensinando-o a conviver com a arte de nosso tempo sem perder visão ou contexto na arte histórica. Aproximando mais o público e dando mais acesso a todos à participação da expressão artística global.

Ninguém fala em arte colaborativa? Arte é só do artista de galeria? Sei que não… mas os que ainda tentam manter o mercado a arte como sendo inacessível e para poucos não perceberam que, na emergente Era da Informação, a arte terá papel importante na economia mundial.

Assim enxerguei que há um novo rumo na Bienal de SP, há uma nova direção, um novo capitão para conduzir o navio… e novos pilotos no leme, o que considero positivo e louvável.

Mas ainda não me convenci a pegar um avião daqui do interiô de MG com a minha mulher e minhas crianças para ir lá conferir. O site da Bienal me informa, por análise do discurso, que ainda não foi superada a forma “velha” de fazer exposições.

Convençam-me, por favor!

Read Full Post »

Ocupar o espaço do nada ou exposição arquitetônica? 

Ocupar o espaço do nada ou exposição arquitetônica?

Bienal, ah… Bienal…Saudade do que passou!

Neste final de semana de 1 a 5 de novembro estive em SP com uma turma de alunos de jornalismo e publicidade para fazer diversas visitas técnicas por lá… nossa primeira parada foi na Vigésima Oitava Bienal de Arte de São Paulo.

Cabe aqui uma retrospectiva… minha primeira bienal eu nunca esqueci… foi a décima nona bienal, voltei de lá mudado. Aprendi assustadoramente com a beleza e os questionamentos da arte postos naquela exposição. Organizada, linda, tudo no lugar devido, primeiras experiências com vídeo art e com computador, esculturas insólitas, pinturas e esculturas descomunais que ocupavam o pavilhão todo que, por sinal, fui muito bem sinalizado e explicado.

Foi uma exposição que mostrou muito mais que arte, foi uma janela que se abriu para um mundo no qual eu dava meus primeiros passos.

Passaram-se alguns anos e eu fui à vigésima terceira Bienal, outro espanto, espaços ocupados com artistas famosos e outros desconhecidos, pelo menos por mim. Guias eletrônicos: alugava-se um equipamento que ia explicando didaticamente o percurso e a arte que eu via. ALta tecnologia à serviço do acesso à arte.

Voltei de lá bem impressionado, minha vida já respirava aqueles conceitos muito bem, não me surpreendi, e fiquei feliz com o que vi. Era possível sentir e perceber os caminhos que a arte estava tomando no Brasil e no mundo. Representava diversos pensamentos e correntes. As emoções eram tratadas como expressão artística. Um verdadeiro playground para qualquer artista ou para o público leigo, que, mesmo sem entender bem sobre o que estava exposto por lá saia admirado com a organização e cuidado com a exposição que era proporcionado pela organização do evento.

Era uma exposição acima de tudo educativa, que atraía e aproximava o público leigo sem deixar de apresentar os grandes questionamentos filosóficos da arte. Tudo limpo, bonito e arrumado.

Cheguei na vigésima oitava bienal… sabendo dos novos questionamentos e das propostas veiculadas na mídia. E o que encontrei?

Nada!

O ZERO completo à esquerda!

Sob o ponto de vista do curador ele conseguiu o que queria: deixar a todos indignados! Mas eu acredito que a função da Bienal seja maior do que deixar o mundo indignado.

O curador conseguiu!

Ele acabou com a terceira maior exposição de arte do mundo! Um verdadeiro Iconoclasta! A história da Bienal se dividirá em antes e depois de Ivo Mesquita.

Vou passar ao largo sobre os questionamentos válidos, sobre o que seria arte: arte é um espaço de conflito e de expressão, de estética, de emoção, de investimentos financeiros, indicativo cultural e social;

E sobre o que é valor em arte e até mesmo sobre as questões do acesso e democratização da arte. Tudo muito correto sob o ponto de vista filosófico, no entanto o que nosso magnífico curador fez foi apenas elitizar e afastar a população da discussão.

E mais… o ambiente sagrado da bienal tinha aparência de favela, não daquelas que saem lindas em fotos por sua textura natural e sua cultura enraizada e legitimamente nascida do povo.

Tinha aparência de favela falsa, produzida para turistas verem. Era ainda pior, a Bienal-Favela criada não tinha nem esta aparência pasteurizada de uma favela urbanizada para turistas europeus.

Bienal-Favela

Bienal-Favela

A Bienal parecia um ambiente sujo, feito às pressas, improvisado (mal por sinal). Mal sinalizado, mal explicado, espaço de discussão tão elitizado e hermético que afasta o público, tanto por nojo do ambiente quanto por falta de respeito ao público.

 

Minha filha de sete anos conseguiu expressar melhor que eu quando lá chegou: Vomitou implacavelmente no chão já imundo do que possivelmente entrará para a história como a Bienal mais fraca e pobre de todos os tempos.

Diversão artistica

Diversão artística

Mas vale ir ver e se divertir… os escorregas são legítimos ambientes de emoção e arte e os artistas que lá expõem também não tem culpa do descaso proporcionado pelo magnífico curador que disfarçou sua incompetência em questionamento…

E a falsidade do questionamento foi tão grande que ele mandou, ditatorialmente, apagar as pichações do “Salão do Nada” feitas no dia 31 de outubro. Transformando tudo em apenas um evento de mídia…

Pichações feitas também de modo suspeito, pois como se entra em um ambiente protegido 24h por dia por seguranças e se picha um andar inteiro sem autorização ?

Talvez se ele tivesse deixado o espaço para que o público pichasse e contestasse… mas nem como espaço de contestação pública ele deixou… com certeza, elitista como ele é pensa que só vale a contestação dele!

Mais informações sobre a Bienal  

Para quem desejar assitir a reportagem sobre a pichação ela está aqui:
Agora você deve estar se perguntando… cadê a implicância pessoal e a sua pseudo-paranóia?
E eu respondo fácil, fácil esta…
Eu fui sozinho à duas bienais, voltei de lá super satisfeito nas duas vezes. Me tornei professor e, com todo orgulho, convidei meus alunos a visitar à Bienal alegando que é um espaço importante de aprendizagem e de questionamento… exatamente na vez que eu faço isso os caras me sacaneiam deste jeito com uma exposição-favela-amadora com um pseudo-questionamento artístico?
Só pode ter sido pessoal…

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: