Feeds:
Posts
Comentários

Archive for fevereiro \17\UTC 2016

Gente, faz tempo que não escrevo aqui no meu blog, e faz tempo que essa campanha me incomoda.

Eu meio que havia desistido de reclamar da escola das minhas crianças… eles não aceitam ajuda, não aceitam opiniões…

Ah… sim, escutam e simplesmente ignoram, não sei se por impossibilidade de compreender ou por falta de capacidade de realizar, mas eu e minha mulher simplesmente desistimos de tentar ajudar…

De fato, não se pode ajudar a quem não pediu ajuda… e ninguém aceita consultoria de graça.

Em tempos de corrupção me parece que aceitar alguma coisa de graça virou crime, então, me parece que eles preferem pagar (caro) por consultorias descontextualizadas que digam apenas o que eles querem ouvir a consultar pais que estão na escola há 5 anos e que tem mestrado em Educação e estão dispostos a ajudar.

Mas não importa a nossa qualificação. De fato, sermos Pais, na visão deles, nos desqualifica para qualquer opinião e eles nos tratam como inimigos ou competidores. Afinal, acabo por pensar que eles fazem parte de um jogo no qual eles acreditam ser os donos e únicos ganhadores.

Aí, eu, que também sou Designer há 30 anos, e já fui professor em Curso Superior de Comunicação, esbarro com uma peça publicitária da escola e com a nova marca, ambas as peças merecem uma análise de discurso e uma análise gráfica para demonstrar o que há por trás das intenções da direção desta escola.

Algumas pessoas me dirão: “- porque você não tira as suas crianças de lá?” ao que respondo sempre a mesma coisa: “- porque tirar as crianças de lá é o mesmo que abandonar os outros pais à solidão e ao desespero de ter que lutar sozinhos por uma Escola melhor para as nossas crianças”

Mas primeiro vamos à análise da nova marca da escola.

IMG_3177

Aqui nesta imagem você vê uma peça da campanha da escola e a nova marca para acompanhar minha crítica. É importante notar que fiz questão de desfigurar o rosto do jovem a fim de atender ao estatudo da criança e do adolescente. Eu, particularmente nunca deixaria um filho meu fazer parte de uma campanha dessas… a foto da porta adesivada com a peça publicitária fui eu quem tirou,  a peça é publica e sem uso restrito e pode ser usada para divulgação e críticas.

 

Pode parecer uma peça gráfica bonita, elegante e atual, e, não discordo, é mesmo. Apenas não é uma marca apropriada ao contexto educacional.

Porque?

Simples… O elemento mais importante de uma Escola é o aluno. Ótimo, na marca o aluno foi destacado, ponto para o designer (que não sei quem é) eles transformaram o X do final da marca em uma criança de braços erguidos em sinal de alegria! Mais um ponto para o designer, temos um conceito forte a abraçar, parece adequado, inteligente e elegante.

E acaba aí…

Se observarmos os braços para cima, ao compor o elemento gráfico o designer criou uma “seta” logo abaixo do que poderíamos chamar de “cabeça do aluno”, só que é uma seta apontando para baixo! Ou seja, diz implicitamente que “puxamos a cabeça do nosso aluno para baixo!”

Ora, isso é uma questão de opinião, dirão alguns… e eu, no lugar de designer e de professor de comunicação insisto que não é apenas uma opinião.

Toda e qualquer interpretação de uma marca será válida e merecerá atenção para que a marca seja refeita e constitua um novo elemento gráfico a fim de eliminar TODAS as possíveis interpretações negativas da marca.

Ah, mas é só um elemento gráfico de menor importância…

Não, não é!

É o elemento gráfico que é chave no conceito principal da marca. E mais, a cabeça é separada do corpo! O que leva a interpretarmos que, no pensamento da empresa e do designer, corpo e mente devem ser separados e que essa seria a intenção principal da escola ao abraçar tal marca.

Mente e corpo separados é um conceito sobre Educação e sobre o Ser Humano mais que ultrapassado. Corpo e mente tem que ser um só.

Quando a mente se separa do corpo ambos adoecem, e isso é muito mais que filosofia oriental, é fato científico.

Sendo assim, a Escola passa a assumir, através da marca, que pretende puxar a mente das crianças para baixo. Sem unir corpo e mente, apenas reduzindo a alegria. Este é o X da questão…

Não temos como culpar o designer pela arte, mas quem aprovou. Quem aprovou tem mais conceitos educacionais, administrativos e operacionais sobre a empresa na cabeça que o designer. Quem aprovou demonstra claramente as intenções dentro da empresa.
E em seguida publicam uma campanha como esta: “no jogo da vida faça parte do melhor time!”

Prá começar, a vida não é um jogo. Educação pode lançar mão de jogos educacionais, mas não se joga com a vida. E uma escola não pode NUNCA abraçar essa ideia.

Em segundo lugar escolheram um visual semelhante ao do filme “JOGOS VORAZES” que é inconcebível para o ambiente escolar infanto-juvenil.

Se você não assistiu à serie de filmes vou te fornecer uma sinopse: “País pós crise mundial passa por revolução, guerra civil, fome e reestruturação interna de suas regiões. Ascende ao PODER um grupo de MÍDIA que cria uma nova DITADURA TOTALITÁRIA que mantém sua população calma através de um jogo mortal e cruel, nos moldes do “CIRCUS ROMANI” televisionado, tipo “reality show” tão na moda atualmente.

Jogos vorazes para o blog2

Imagem promocional do filme Jogos Vorazes – pública

Um detalhe, o governo de MIDIA que promove jogo obriga que cada região da federação, para ter maiores cotas de comida, doe 2 jovens (menores que 18 anos) para os jogos. E desses jogos só sairá um vivo!

Então a Escola quer que nossas crianças entrem nos jogos vorazes dela? Quer que nossas crianças matem umas as outras? Ah tá… só de modo simbólico, pois o que eles querem é que elas matem suas criatividades e liberdades neste jogo sem sentido de competição por uma nota mais alta que a dos outros em uma avaliação sem contexto.

Lamentável.

Anúncios

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: