Feeds:
Posts
Comentários

Archive for agosto \22\UTC 2011

Agora mesmo, no carro, trazendo as crianças da escola, surgiu a conversa que transcrevo abaixo. Eliminanei os nomes citados para evitar o constrangimento de receber um processo…

– Papai, você votou em fulana? – Perguntou uma das minhas filhas.

– Votei, filha… – respondi.

– E em ciclana? – Perguntou a outra.

– Não, nessa não… – respondi

– E prá presidente? – Perguntou o meu filhote.

– Nesse eu votei em (…) – Respondi.

– Mas papai, perguntou a primeira, como é que você escolhe?

– Eu procuro algum candidato, ou candidata, que eu conheça, que seja honesto e correto. – respondi.

– Fulana é honesta e correta? Tornou ela a perguntar, todos interessadíssimos na resposta…

– Não sei filha! – respondi.

– Mas se você não sabe, como é que você votou nela? Perguntou a segunda com uma voz bem fininha.

– Por que o candidato opositor, eu sabia que não prestava e, eu não tinha opção. -respondi…

– Mas papai, a opção que você tinha era não votar em nenhum ou votar nulo… atacou a primeira.

– É verdade, mas se eu fizesse isso o outro ganhava.

– Mas se você pensava que os dois não eram corretos e honestos, como é que você escolheu? Voltou a mais velha, com apoio dos outros 3. Até a mais nova, de 5 anos, estava completamente interessada na conversa e disse: – É, papai, como é que escolhe?

– Ué, nem sempre temos a opção que desejamos, mas precisamos escolher a opção que pensamos que irá causar menos prejuízo!

– Não entendi, papai… como é que é?

Parei uns segundos pensando em usar palavras que eles entendessem… mas como? Não sabem o que é corrupção, falcatruas, nem o que é política… até que chegou a resposta:

– Filhotes, imaginem que vocês só tenham dois caminhos para escolher e que não podem parar na estrada para esperar que apareça um caminho melhor. Um caminho tem cheiro de “cocô” e o outro tem cheiro de “suvaco” qual é o que vocês escolheriam?

Suvaco ou cocô?

 

A resposta foi uníssona: – O caminho do “suvaco”!

E eles completaram rindo: – Cheiro de suvaco dá prá aguentar 4 anos, mas cheiro de cocô não!

Consegui me fazer compreendido… salvei meu dia!

Anúncios

Read Full Post »

Através de uma mensagem de uma amiga minha, que é professora, que levantou o seguinte problema: “Os jovens e o subaproveitamento da internet para a educação e cultura” e ela completou que isso interessa a ela já que ela diz perceber seus alunos “apenas um interesse em redes sociais e MSN”.

Essa amiga está terminando sua graduação em Psicologia e pretende escrever algum artigo sobre o assunto. Essa mensagem me levou à algumas reflexões e parte da resposta que mandei para ela estou postando aqui. (lembrem-se que isso foi uma conversa informal…mas é um assunto que muito me incomoda também)

Olá!

Não tenho uma visão do lado dos psicanalistas sobre o assunto, minha leitura sobre psicanálise e correlatos é pequena, fraca e preconceituosa. Mas tenho outra leitura, ligada à educação e à sociologia…

Achei interessante sua visão sobre o interesse dos alunos nas redes sociais e no msn. Quando eu estava no meio da minha pesquisa de mestrado também tive essa leitura.

Com o tempo entendi outras coisas a respeito e minha pergunta hoje é: Qual é o aluno, pessoa, colega, amigo que se interessa por ganho de cultura sem estímulo externo?

Penso que é apenas aquele que aprendeu em casa, através de seus pais que o ganho de cultura acarreta em algum ganho social.

Sinto que a internet é uma moto-niveladora social para quem tem acesso… Torna as relações de igual para igual, uma vez que qualquer um pode dizer e ser o que quiser por aqui. Democracia gera relações sociais mais próximas, mas o “gap” cultural permanece.

Penso que o fascínio dessas crianças/jovens pelas redes sociais pode nascer da necessidade de pertencer e de participar de um grupo socialmente mais favorecido.

O msn é a forma de comunicação imediata aparentemente mais barata, já que não precisa de um celular, nem SMS.

Assim, se o professor não despertar o aluno para outros ganhos da internet (no caso o ganho cultural) eles ficarão no que existe de mais compreensível e de fácil assimilação.

Mas existem outras controvérsias na questão: qual é a cultura que vale a pena? Isso existiria, uma cultura que valha mais que outra? Existe alta cultura? Para que educamos as crianças? Para mudar seu padrão de vida? Para tirá-los de suas condições sociais ou para se tornarem cidadãos livres, donos e responsáveis pelas suas escolhas?

A mim me parece que educamos para tudo isso… há tanta informação na internet. tanta cultura diferente… mas, lamentavelmente, muitos professores querem sempre doutrinar, ensinar a cultura deles ou a que eles pensam ser a melhor.

Aí estamos diante de um conflito. Existem sociólogos que pensam que deve-se respeitar a cultura do outro, e não tentarmos mudá-la, outros ainda acreditam que a cultura dominante precisa ser aprendida pelo dominado para que ele tenha recursos para poder lutar no campo do outro… Quem pode estar certo?

Não sei… eu, da mesma forma que muitos da minha geração, fui criado acreditando que existe uma cultura maior, que devemos aprender história das outras raças e outros povos, que devemos ter uma cultura geral mais diversificada sobre o mundo, que existe uma música que merece mais atenção que as outras…

Mas ando me convencendo de que as únicas coisas que precisamos aprender na escola são:

1- A língua materna em todas as suas nuanças e características;
2- A língua matemática em profundidade;
3- A manejar a interpretação dessas duas línguas;
4- A usar a informação de forma a saber onde guardar e onde pegar, reinterpretando sempre de acordo com a minha cultura;
5- A entender, tolerar e respeitar as escolhas e as culturas dos outros (todos os outros);
6- A expressar nossas idéias e sentimentos;
7- A projetar e planejar nosso futuro;
8- A escutar o outro;
9- A ser auto-crítico e reflexivo;
10- A criticar toda informação e recriar tudo o que recebe conforme a nossa leitura pessoal;
11-A transformar tudo isso aí de cima em recursos sociais, econômicos e financeiros auto-sustentáveis;

Chega de conteúdo, conteúdo está na rede, Educação atualmente precisa mudar absolutamente para que a internet seja usada a contento por, se não todos, uma grande maioria da população.

O caminho que escolhi para isso foi a minha pesquisa de mestrado. Nela eu tentei fazer com que o aluno tivesse que produzir o que aprendia para postar na rede e ser criticado pelo mundo.

Apliquei minha pesquisa com meus alunos de graduação, fora da pesquisa e acredito que tive bons resultados.

Penso que para que o aluno deixe de usar apenas as redes sociais e o MSN, o professor precisa acenar com outros ganhos para os usos da internet.

Não sou muito de citar autores… mas o que escrevi é minha opinião com base nas minhas leituras dos PCN, Alain Tourraine, Bourdier, Trivinhos, Canclini e de meus amigos na rede e fora dela.

Abraços e obrigado mais uma vez pela oportunidade de reflexão.

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: