Bienal, ah… Bienal…Saudade do que passou!
Neste final de semana de 1 a 5 de novembro estive em SP com uma turma de alunos de jornalismo e publicidade para fazer diversas visitas técnicas por lá… nossa primeira parada foi na Vigésima Oitava Bienal de Arte de São Paulo.
Cabe aqui uma retrospectiva… minha primeira bienal eu nunca esqueci… foi a décima nona bienal, voltei de lá mudado. Aprendi assustadoramente com a beleza e os questionamentos da arte postos naquela exposição. Organizada, linda, tudo no lugar devido, primeiras experiências com vídeo art e com computador, esculturas insólitas, pinturas e esculturas descomunais que ocupavam o pavilhão todo que, por sinal, fui muito bem sinalizado e explicado.
Foi uma exposição que mostrou muito mais que arte, foi uma janela que se abriu para um mundo no qual eu dava meus primeiros passos.
Passaram-se alguns anos e eu fui à vigésima terceira Bienal, outro espanto, espaços ocupados com artistas famosos e outros desconhecidos, pelo menos por mim. Guias eletrônicos: alugava-se um equipamento que ia explicando didaticamente o percurso e a arte que eu via. ALta tecnologia à serviço do acesso à arte.
Voltei de lá bem impressionado, minha vida já respirava aqueles conceitos muito bem, não me surpreendi, e fiquei feliz com o que vi. Era possível sentir e perceber os caminhos que a arte estava tomando no Brasil e no mundo. Representava diversos pensamentos e correntes. As emoções eram tratadas como expressão artística. Um verdadeiro playground para qualquer artista ou para o público leigo, que, mesmo sem entender bem sobre o que estava exposto por lá saia admirado com a organização e cuidado com a exposição que era proporcionado pela organização do evento.
Era uma exposição acima de tudo educativa, que atraía e aproximava o público leigo sem deixar de apresentar os grandes questionamentos filosóficos da arte. Tudo limpo, bonito e arrumado.
Cheguei na vigésima oitava bienal… sabendo dos novos questionamentos e das propostas veiculadas na mídia. E o que encontrei?
Nada!
O ZERO completo à esquerda!
Sob o ponto de vista do curador ele conseguiu o que queria: deixar a todos indignados! Mas eu acredito que a função da Bienal seja maior do que deixar o mundo indignado.
O curador conseguiu!
Ele acabou com a terceira maior exposição de arte do mundo! Um verdadeiro Iconoclasta! A história da Bienal se dividirá em antes e depois de Ivo Mesquita.
Vou passar ao largo sobre os questionamentos válidos, sobre o que seria arte: arte é um espaço de conflito e de expressão, de estética, de emoção, de investimentos financeiros, indicativo cultural e social;
E sobre o que é valor em arte e até mesmo sobre as questões do acesso e democratização da arte. Tudo muito correto sob o ponto de vista filosófico, no entanto o que nosso magnífico curador fez foi apenas elitizar e afastar a população da discussão.
E mais… o ambiente sagrado da bienal tinha aparência de favela, não daquelas que saem lindas em fotos por sua textura natural e sua cultura enraizada e legitimamente nascida do povo.
Tinha aparência de favela falsa, produzida para turistas verem. Era ainda pior, a Bienal-Favela criada não tinha nem esta aparência pasteurizada de uma favela urbanizada para turistas europeus.
A Bienal parecia um ambiente sujo, feito às pressas, improvisado (mal por sinal). Mal sinalizado, mal explicado, espaço de discussão tão elitizado e hermético que afasta o público, tanto por nojo do ambiente quanto por falta de respeito ao público.
Minha filha de sete anos conseguiu expressar melhor que eu quando lá chegou: Vomitou implacavelmente no chão já imundo do que possivelmente entrará para a história como a Bienal mais fraca e pobre de todos os tempos.
Mas vale ir ver e se divertir… os escorregas são legítimos ambientes de emoção e arte e os artistas que lá expõem também não tem culpa do descaso proporcionado pelo magnífico curador que disfarçou sua incompetência em questionamento…
Pichações feitas também de modo suspeito, pois como se entra em um ambiente protegido 24h por dia por seguranças e se picha um andar inteiro sem autorização ?
Talvez se ele tivesse deixado o espaço para que o público pichasse e contestasse… mas nem como espaço de contestação pública ele deixou… com certeza, elitista como ele é pensa que só vale a contestação dele!
Mais informações sobre a Bienal





Parece que esta Bienal foi um fiasco. Uma pena. Reflexo do que vivemos hoje? Não saberia dizer!
)
E a falsidade do questionamento foi tão grande que ele mandou, ditatorialmente, apagar as pichações do “Salão do Nada” feitas no dia 31 de outubro. Transformando tudo em apenas um evento de mídia…
Pichações feitas também de modo suspeito, pois como se entra em um ambiente protegido 24h por dia por seguranças e se picha um andar inteiro sem autorização ?
… são minhas palavras tb!
“Só pode ter sido pessoal…”
Talvez não Rodrigo.
É cada vez mais difícil encontrar vida inteligente no mundo contemporâneo.
Existe, mas em locais improváveis.
A 28a. Bienal de arte de São Paulo ou Bienada comprova o fato.
[...] the other hand, for Rodrigo [pt], a teacher who was already aware of the new focus when he took his students only to be [...]
[...] outro lado, Rodrigo, professor que levou seus estudantes já sabendo dos questionamentos propostos mas que não [...]
Eu queria ter iddo ..ver é o Jô
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Gederson,
Não faltarão oportunidades para vc ver o gordo… precisa chorar não!
Essa realmente….foi pessoal. Te sacanearam até em São Paulo rsrs….Pena que a Bienal que os alunos puderam ir foi a pior de todas. Mas….por outro lado…pelo menos isso eu não perdi por ter desistido da viagem.
Débora,
Obrigado por comentar aqui no meu blog! Volte sempre!
De qualquer forma, não foi uma viagem perdida, havia muita coisa interessante na Bienal.
Minha crítica não foi sobre o conteúdo artístico e sim quanto à organização.
O conteúdo artístico da Bienal foi impecável, isso é preciso confirmar e louvar!
Abraços!
Ehh prof. pelo menos a Estela conseguiu fazer seu protesto [literalmente]… rs
Gostei mto do blog!! _ Abçs!!
Realmente a Bienal do Vazio, lamentavel!
Continuo preferindo o planetario.. hehe.. e ter conhecido suas filhas, que são maraviilhoosas!
Seu blog é otimo!
beijos
WOW!
Que Bienal sensacional não?
Em vivo contato ou em Ivo contato ?
Sonegação de informações, descaso com o público,
perda de tempo, dinheiro, manutenção da ignorância
do público com relação à arte e às manifestações contemporâneas.
Infelizmente é mais uma prova de que as ‘elites’ brasileiras desconhecem completamente os potenciais e a inteligência do público.
Protesto veementemente contra estas ‘pseudo-atitudes’ modernosas, inconseqüentes e arrogantes dos
‘donos-da-arte’…
Horrível.
Adeus Bienal…
Olá Teruko!
Deve ser Ivo Contado…
Obrigado por solidarizar com o nosso sentimento de perda!
Volte sempre!
Abraços
Rodrigo
feliz calendário novo, rodrigo, para vc, a andréia e as crianças
Há muito tempo te devo uma resposta ao seu comentário e um comentário ao seu blog.
Bem, arranjei um jeito melhor de te responder, então depois você dá uma olhada:
http://avessosanseios.blogspot.com
Acho que o melhor comentário sobre a Bienal foi o que você disse sobre sua filha, que vomitou na entrada. Fantástica colocação Rodrigo!!! rs
Acho realmente que a Bienal parecia um ambiente sujo, feito às pressas, e mal improvisado.
Além de não apresentar nenhum atratativo escandaloso que nos fizesse parar, boquiabertos, e admirar com espanto tamanha criatividade, cada “minimalismo sonso”, sem cor e sem brilho, não nos passava absolutamente nada.
Andamos pelo nada. Paramos para observar o nada. E o nada era tão mal expresso e mal explicado que não conseguimos entender a simplicidade do “nada” existente ali.
Sim! foi um choque!
Foi um choque que um evento tão aclamado e tão esperado não me mostre absolutamente nada de fantástico naquilo que eu tomei como minha futura profissão, vida e obsessão.
Portanto, querido, a coisa não foi pessoal apenas com você. Mas comigo também! Porque na primeira vez que saio da minha casa para ir a um grande evento esperando sentir meus olhinhos brilharem de entusiasmo eu me deparo com a decepção de não admirar nada. E então eu passo a me questionar: O que eu fazia ali? O que eu faço aqui? Será que estou no caminho certo e escolhendo a profissão certa?
Eu não sei! Porque se “aquilo” era a grande Bienal, eu jamais serei boa o suficiente pra isso.